Ester
Jogo de amarelinha e escola de medicina

“Hei-de saber o que dizer às crianças””

Durante muito tempo, a Ester tinha medo de ‘pessoas de bata branca.’ A Ester tem agora sete anos, está na segunda classe e quer ser médica um dia. “Passei tanto tempo em hospitais e quero poder ajudar crianças como eu e saberei o que lhes dizer.”

Ester escrevendo no quadro-negro
Ester escrevendo no quadro-negro

Quando tinha um ano, apareceu um nódulo no pescoço da Ester, depois no pé e no joelho. Logo a seguir, e embora já conseguisse pôr-se de pé e começar a andar, nem sequer conseguia gatinhar. Era o início de uma longa odisseia médica, com muitas idas ao hospital, três cirurgias e nenhum resultado. Mais tarde, Ester escapou de uma amputação programada porque a enfermeira deu-lhe de comer por engano. No dia seguinte, um médico disse que não era necessário. Demasiado assustada para regressar até mesmo para fazer tratamento, a família abandonou o processo. E foi no meio disto tudo que se encontraram com Maria Celeste e Natércia, as nossas assistentes comunitárias.

Ester e os pais contaram a sua história e sentiram algum conforto em contá-las. As assistentes comunitárias deram-lhes o apoio psicológico de que necessitavam. Sentindo que era um pouco cedo para falar de cuidados médicos, sublinharam a importância de mandar a Ester para a escola, uma vez que ia completar seis anos.

Ester com as activistas
Ester com as activistas

Mais tarde, finalmente conseguiram convencer a família a voltar ao hospital e acompanharam-na a um serviço de ortopedia adequado. Por fim, a Ester fez uma última cirurgia em Janeiro de 2016. Em Fevereiro conseguia andar.

Ester tocando amarelinha no pátio
Ester tocando amarelinha no pátio

Natércia diz que muitas vezes as famílias desistem do tratamento médico por desespero e é aqui onde um programa de assistência desempenha um forte papel para incentivar e dar a força para se continuar, referindo as pessoas directamente a um bom serviço, acompanhando-as naquilo que pode ser um processo difícil. Lutam contra o desespero e logo a seguir, através do apoio moral e de boas referências e quando as famílias vêem resultados, tem um impacto muito positivo.

Ester com os seus pais
Ester com os seus pais

Neste momento, a Ester vai para a escola a pé com a irmã mais velha, Sifa. Ela mostra-se muito empolgada durante o intervalo e joga a amarelinha incansavelmente com as amigas. Natércia irá conversar com a professora, uma vez que a Ester facilmente se distrai com todas as suas novas possibilidades. “Terei muito tempo para conseguir acompanhar,” exclama Ester. E terá de estudar muito para ser a boa pediatra que pretende ser.

Ester e sua irmã a caminho da escola
Ester e sua irmã a caminho da escola

Leia suas histórias

Eduardinho
Filomena
Muzna
Raul
Ansha