Todos gostam da Filomena

"A Filó não gosta de tchau"

“Filó!” É o que se ouve de todos os lados quando esta rapariga chega ao centro de reabilitação psicossocial, no corredor das crianças. E o sorriso dela ilumina a sala. A mãe instala-a numa cadeira de rodas com a etiqueta “Filomena.” Outras crianças e o pessoal aproximam-se para cumprimentá-la e embora Filomena não consiga falar nem movimentar-se sozinha, é muito fácil ver que está contente.

Filomena na sua cadeira de rodas no centro de reabilitação
Filomena na sua cadeira de rodas no centro de reabilitação

Mesmo que o pai, um mineiro, esteja for a de casa a maior parte do tempo, Filomena gosta quando ele está por perto. O mesmo acontece com a mãe e os seus dois irmãos mais velhos. Eles formam uma família muito amorosa e carinhosa. Filomena nasceu com uma quadriplegia espástica e epilepsia. A mãe levou-a às sessões de fisioterapia até aos seis anos, altura em que lhe disseram para parar. Ela continuou a levar a Filomena para onde quer que fosse. Mas a Filomena estava a piorar, não conseguia comer alimentos sólidos por causa dos seus maxilares cerrados e porque os braços e as pernas atrofiaram consideravelmente.

Filomena e os seus dois irmãos
Filomena e os seus dois irmãos

Os nossos assistentes comunitários tiveram conhecimento de pessoas portadoras de deficiência do bairro e um dia um deles foi bater à porta da casa de Filomena (sim, tanto a mãe como a filha têm o mesmo nome de Filomena). Depois de conversar com a mãe, que estava desesperada por ver o estado da folha a piorar, trouxe-as de volta às sessões de fisioterapia, primeiro para um hospital nas proximidades. Em seguida referiu-as a um centro de reabilitação psicossocial, que oferece cuidados a crianças portadoras de deficiência.

Filomena com a nossa activista
Filomena com a nossa activista

Embora o centro seja distante e a mãe tenha que a levar ao colo durante mais de três horas para ir e voltar, continuam a ir quatro vezes por semana. Filomena tem muitas actividades neste centro. Ela pinta e desenha orientada pelos funcionários ou pela mãe, tem actividades de música e dança com as outras crianças. Fez muitos amigos, incluindo o Alex. O semblante da Filó brilha quando ouve o nome dele. Ela gosta tanto do centro que chora quando não vai!

Filomena de pé ao lado da sua mãe no centro de reabilitação
Filomena de pé ao lado da sua mãe no centro de reabilitação

E obviamente, são oferecidas sessões de fisioterapia para ajudá-la a relaxar os músculos. Ela está a registar progressos e agora consegue comer alimentos sólidos. E embora exija muito esforço, ela gosta!

Filomena durante a sessão de fisioterapia
Filomena durante a sessão de fisioterapia

A Filó fica contente quando o pai está por perto. Para ele regressar ao trabalho, tem de sair sorrateiramente porque a “Filó não gosta de tchau.” Mas quando ele regressa, ela é a rapariga mais feliz da face da terra. Entretanto, os dois irmãos dela e a mãe levam-na para todo o lado porque a Filó realmente gosta de estar fora e cercada de pessoas e actividades. A mãe quer transmitir uma mensagem às outras famílias “O importante é não se esconder. Quando vou ao mercado ou a um casamento não a deixo em casa. Ela é uma pessoa, tem de se sentir à vontade e rodeada de pessoas. É uma criança como outra qualquer!”

Filomena desenhando com a mãe no centro de reabilitação
Filomena desenhando com a mãe no centro de reabilitação

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