Raul
De um órfão solitário para uma família de amigos

“Temos de ser visíveis”

A escola, o desporto e o tempo com os amigos são o que constitui uma rotina semanal de Raul. Embora continue a enfrentar problemas com os seus recursos muito escassos e um simples tecto por cima da sua cabeça, finalmente as coisas estão a melhorar. Raul acaba de fazer 20 anos e a vida não tem sido fácil para ele.

Raul durante a aula de educação física
Raul durante a aula de educação física

Alice, a nossa assistente comunitária, conheceu Raul quando este tinha dezasseis anos. A mãe acabava de falecer, deixando-o órfão, assim como os seus irmãos. E exceptuando uma casinha, não tinham nada. Não tinham dinheiro, água ou electricidade, não havia alimentos. O irmão partiu à procura de emprego na África do Sul, deixando Raul, que nasceu com pernas atrofiadas, sozinho e desesperado. Apenas Antonieta, uma vizinha, cozinhava para ele graças ao seu bom coração.

Raul na sua porta da frente
Raul na sua porta da frente

Alice perguntou primeiro se podia ir conversar com ele. Raul abriu o seu coração. Falou-lhe das suas dificuldades e como se sentia encurralado. A sua cadeira de rodas não entrava em casa nem ele se podia movimentar nela no bairro, pois o chão é muito arenoso. Sem a mãe, já não podia ir à escola e estava desesperado.

Raul limpando a sua casa
Raul limpando a sua casa

Alice começou pelo princípio: combinar com uma associação local para lhe arranjar um triciclo, para que Raul se pudesse movimentar. Como forma de cobrir as necessidades básicas, ela ajudou-o a registar-se na “cesta básica,” um programa social nacional que distribui alimentos e bens básicos às pessoas mais vulneráveis. Assim que conseguiram meios para obter um uniforme escolar, Raul inscreveu-se na escola secundária do seu bairro.

Raul sobre o seu triciclo ao quadro-negro na sala de aula
Raul sobre o seu triciclo ao quadro-negro na sala de aula

Na escola pública de Raul, a equipa pedagógica é treinada em inclusão de alunos com deficiência. Por isso, não constituiu problema quando Raul pediu para frequentar a aula de educação física às segundas-feiras à tarde. E nesse ano, Alice também o referiu a uma associação que organiza actividades desportivas para crianças com deficiência. Raul vai todos os fins-de-semana. O que começou como uma actividade para crianças portadoras de deficiência tornou-se um desporto inclusivo, uma vez que as crianças sem deficiência do bairro também queriam vir brincar com eles.

Raul jogando futebol com amigos
Raul jogando futebol com amigos

No próximo ano, Raul quer estudar psicologia na universidade. E embora ainda seja difícil e não tenha apoio familiar, sair permitiu a Raul recriar uma família de amigos seus. A sua mensagem é a seguinte: “Temos de sair, se ficarmos escondidos em casa ninguém irá ajudar-nos. Temos de ser visíveis!”

Raul sobre o seu triciclo empurrado por um amigo
Raul sobre o seu triciclo empurrado por um amigo

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